Wednesday, August 30, 2006

3.2 por ciento

Pedro Miguel
La Jornada


De acuerdo con un estudio de Caixa Catalunya, en la década 1995-2005 la llegada de inmigrantes a España impulsó en 3.2 por ciento el crecimiento del producto interno bruto del país. Sin la inmigración, sostiene el documento, el PIB per cápita se habría reducido en 0.6 por ciento anual en vez de crecer, como lo hizo, en 2.6 por ciento.

No es el único caso. En la mayor parte de los países europeos el crecimiento económico registrado en los últimos años se convertiría en decrecimiento si se le restara la contribución de los extranjeros: sin ellos, la economía de Alemania habría experimentado un crecimiento negativo de -1.5 por ciento y la de Italia, de -1.2. En su conjunto, la Unión Europea, que tuvo un incremento anual promedio de 1.79 del PIB per cápita entre 1994 y 2005, habría perdido cada año el 0.23 por ciento del tamaño de su economía si no hubiera recibido inmigración alguna.

En términos demográficos, los extranjeros aportaron 76 por ciento del incremento poblacional, con 11 millones 900 mil de los 15 millones 700 mil nuevos habitantes. En Alemania e Italia la llegada de inmigrantes ha contrarrestado incluso las tendencias a la disminución, en términos absolutos, de la población local (El Mundo, 28 de agosto).

No es probable que los gobernantes de los países ricos (en Estados Unidos de seguro ocurre algo similar, aunque no hay datos) desconozcan estos hechos ni que, conociéndolos, estén decididos a evitar que crezcan las economías de sus respectivas naciones. Sin embargo, en la porción próspera del mundo, las políticas orientadas a impedir, perseguir y penalizar la inmigración se acentúan día con día y, con ellas, el llamado "costo humano" del fenómeno: la prohibición de libre tránsito se traduce de manera cotidiana en incontables seres humanos ahogados, balaceados, calcinados, presos, deportados, torturados y humillados, tanto en las riberas del río Bravo como en el Estrecho de Gibraltar, lo mismo en las costas del Pacífico centroamericano que en el norte de Africa.

El viejo continente y Estados Unidos impulsaron e impusieron una globalización despiadada para, después, convertir sus territorios en enormes fortalezas medievales. Hay que detener a toda costa a esos nuevos bárbaros desharrapados que llegan por oleadas, con una mano atrás y otra adelante, a impulsar la productividad, el consumo y el crecimiento económico en general. Hay que conseguir a toda costa que en el imaginario colectivo el trabajador extranjero sea identificado como terrorista, violador, ladrón, traficante de drogas. Hay que invertir parte de ese crecimiento económico logrado gracias a los migrantes en nuevos dispositivos electrónicos de vigilancia, en armas de fuego y en barcos patrulleros para que los nuevos aspirantes la tengan un poco más difícil y se incrementen sus posibilidades de morir en el intento.

El despropósito de la persecución de migrantes es uno de los ejemplos más grotescos y ofensivos de la irracionalidad en que naufraga el mundo contemporáneo. Dicen quienes mandan en él -es decir, los dueños reales y políticos de las economías desarrolladas- que la idea consiste en establecer reglas más racionales, maneras más humanistas y formas más benéficas de ejercer el poder. Tal vez un día de éstos lo consigan.

navegaciones@yahoo.com - http://navegaciones.blogspot.com

Tuesday, August 29, 2006

Para Obrador, México está aberto para um golpe de Estado

29/08/2006

O candidato às eleições presidenciais mexicanas Andres Manuel López Obrador, do PRD (Partido da Revolução Democrática), disse que a recusa formal do Tribunal Eleitoral do México de fazer uma recontagem total dos votos abriu o caminho para um golpe de Estado no país. ''Com este tipo de decisão, a ordem constitucional é quebrada e o caminho para um usurpador tomar posse da Presidência através de um golpe de Estado está aberto'', disse, em um comício na noite de segunda-feira (28/8) na Cidade do México. ''Nos recusamos a reconhecer os resultados anunciados hoje pelo Tribunal Eleitoral que pretende legalizar a fraude cometida no dia 2 de julho. Nos recusamos a reconhecer Felipe Calderón Hinojosa como o presidente da República'', afirmou.

Cautela

O Tribunal Federal Eleitoral mexicano tem até o dia 31 de agosto para divulgar o resultado de uma recontagem parcial de votos. Além disso, a corte deve decidir até o dia 6 de setembro se declara Calderón o presidente eleito ou se anula a eleição. O candidato conservador mexicano lembrou que a corte não confirmou ainda sua vitória, mas disse que a decisão da segunda-feira o satisfez enormemente. ''Quero ser cauteloso… mas estamos em um ótimo caminho'', disse Calderón. De acordo com o Instituto Federal Eleitoral do México, Calderón venceu as eleições com uma diferença de 244 mil votos (0,58%) sobre Obrador.


Leia também: Juízes decidem arquivar denúncias de fraude eleitoral

Da redação, com agências
Diário Vermelho

Campanha eleitoral começa com polêmica no Equador

29/08/2006

A menos de dois meses das eleições presidenciais do Equador, marcadas para o dia 15 de outubro, a campanha finalmente começou a ganhar destaque da imprensa do país. No entanto, grande parte da atenção dirigida a ela neste momento se deve a uma polêmica envolvendo o presidente venezuelano Hugo Chávez. Enquanto alguns se preocupam em apresentar propostas, outros candidatos vêm dando destaque a um suposto apoio econômico de Chávez a Rafael Correa, atualmente em terceiro lugar nas últimas pesquisas. O empresário Álvaro Noboa, candidato pelo conservador Partido Renovador Institucional (PRIAN), chega a dizer que toda a campanha de Correa, ex-ministro da Economia do Equador, é financiada pela Venezuela. Correa não nega que é amigo pessoal de Chávez, mas tem feito desafios e respondido com boas sacadas às acusações que lhe são dirigidas. "Se a Venezuela me financia, revisem os custos de nossa campanha e, por favor, me mostrem onde existe essa campanha milionária", afirmou.

"Se meu amigo fosse Bush..."

Correa vê em tais ataques o receio das forças conservadoras do país diante de seu avanço nas pesquisas. "A arrogância e as limitações de nossa elite faz com que essa relação seja malvista, mas se eu fosse amigo de Bush já teria me escolhido Homem do Ano no Equador", ironiza. Para Correa, antes de qualquer vinculação política, ser amigo de Chávez é uma honra. "E, se quiserem levar nossa amizade para o lado da política, tudo bem, já que o presidente venezuelano goza de mais de 80% de popularidade no Equador", comentou.

TeleSUL
Diário Vermelho

Saturday, August 26, 2006

Greve de professores vira revolta social no México

26/08/2006

Uma greve de professores no estado de Oaxaca, sul do México, transformou-se na mais violenta revolta popular do país desde o levante liderado pelo Subcomandante Marcos em 1994 em Chiapas. Professores, sindicalistas, camponeses e um pequeno grupo guerrilheiro, a Frente Revolucionária Popular, criaram a Assembléia Popular do Povo de Oaxaca e ocuparam os principais prédios públicos da capital do estado, também chamada Oaxaca. O movimento exige a renúncia do governador e mais recursos para a região. O conflito só comprova a tensão social do país, que ainda discute quem venceu a eleição presidencial de 2 de julho. As forças de esquerda apontaram inúmeras fraudes no processo eleitoral e exigem a recontagem total dos votos. Mais de 70 mil professores entraram em greve em maio, mês de tradicionais paralisações anuais por conta da renegociação salarial. Só que o governador não concedeu nenhum aumento e ordenou uma violenta repressão para desalojá-los da praça principal de Oaxaca. Em junho, mais de mil policiais atacaram os grevistas acampados com gás lacrimogêneo. No último mês, os manifestantes ocuparam dez estações de rádio da cidade, além da sede do governo e da Assembléia Legislativa. Governador e deputados usam sedes provisórias.

O Estado é bastião do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México de forma autoritária por 71 anos. O governador é um caudilho que também teve sua vitória em 2 de julho contestada. Os dois candidatos que ainda disputam a vitória na eleição presidencial, o conservador Felipe Calderón e o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, aproveitam o conflito. Calderón fala da violência e da manipulação dos movimentos sociais pela esquerda, enquanto López Obrador aponta a insensibilidade do governo e a repressão aos professores. Até agora, o presidente Vicente Fox se negou a intervir, dizendo que se tratava de um problema "local". Agora, uma inevitável intervenção pode gerar mais violência.

Da redação, com agências internacionais

Diário Vermelho

Obrador diz que enfrenta uma máfia no México

25/08/2006
Obrador diz que enfrenta uma máfia no México

A edição de quinta-feira (24/8) do jornal francês Le Monde traz uma reportagem sobre a delicada situação no México após as eleições presidenciais de 2 de julho, na qual o candidato progressista López Obrador fala de suas dificuldades e planos, além de definir os setores conservadores do país como uma máfia.

Confira abaixo a íntegra do texto:

O seu semblante é de cansaço, mas a sua determinação continua inabalável. ''Se a fraude for consumada, eu prosseguirei a luta até a restauração da República'', afirma ele, com uma voz calma, porém firme. Já faz várias semanas, Andrés Manuel Lopez Obrador, o candidato da esquerda na eleição presidencial que ocorreu em 2 de julho no México, está acampado junto com vários milhares dos seus partidários no Zocalo, a vasta praça no coração da capital.

Desde o anúncio dos resultados preliminares que davam uma vantagem de 244.000 votos, ou seja, 0,58% do total das cédulas válidas, ao seu adversário conservador, Felipe Calderón, Obrador exige que todas as cédulas sejam recontadas e denuncia a fraude. ''Nós vencemos, mas é difícil levar a melhor sobre uma máfia, um grupo de poder que age sem nenhum escrúpulo moral'', diz ele, em entrevista ao ''Le Monde'', que ele concede numa pequena barraca que lhe serve de domicílio e de escritório.

A mobília é austera, à imagem de Andrés Manuel Lopez Obrador, com freqüência chamado pelo apelido de ''AMLO'': uma cama de campanha, uma pequena mesa de camping, duas cadeiras e uma grande bandeira do México. ''Nos últimos três anos, nós estamos sendo vítimas de uma campanha do aparelho de Estado, com a participação direta do presidente da República (Vicente Fox) para nos destruir politicamente, isso porque nós representamos um projeto alternativo. Eles tomaram a decisão de me impedir por todos os meios de ser eleito'', argumenta.

Uma nova recontagem parcial dos resultados em 9% das circunscrições eleitorais, que foi autorizada no início de agosto pelo tribunal eleitoral, confirma, segundo o candidato do Partido da Revolução Democrática (PRD, de esquerda), a amplidão das irregularidades.

Democracia?

''No total, esta nova recontagem fez aparecerem 120.000 cédulas de votação em falta ou em excesso, dependendo das circunscrições. Uma projeção para o conjunto das circunscrições evidencia a existência de cerca de um milhão de votos em falta ou excedentes'', afirma. Este número não foi confirmado pelo tribunal eleitoral que não divulgou os resultados da nova recontagem parcial. No Partido da Ação Nacional (PAN, de direita), os membros da assessoria de Felipe Calderón afirmam que este número é falso e que a variação estabelecida pela nova recontagem ''diz respeito, no máximo, a 1.500 votos''.

''Nós estamos assistindo no México a uma recomposição das forças políticas com a formação de dois blocos, de direita e de esquerda. A realidade é que não existe democracia. A direita quer impor um simulacro de democracia que atenda aos interesses da elite de privilegiados que domina o país. O candidato da direita é a marionete desses grupos que seqüestraram as instituições'', prossegue Obrador.

Por muito tempo na frente das pesquisas, não teria ele dado mostras da síndrome do ''já ganhou'' ao se recusar, por exemplo, a participar do primeiro debate da campanha? ''Nós sabíamos que as cartas estavam marcadas, mas, apesar dos seus ataques de baixo nível, nós pensávamos ganhar e nós ganhamos'', avalia. ''Nós achávamos que a guerra suja iria terminar no dia das eleições e que eles iriam respeitar a votação''.

Ilegitimidade

O tribunal eleitoral deve anunciar o nome do vencedor no mais tardar em 6 de setembro, ou pronunciar a anulação das eleições. O que fará o PRD caso a vitória de Felipe Calderón for confirmada? ''Se o tribunal validar a fraude, nós não reconheceremos um presidente sem legitimidade. Nós já convocamos uma convenção nacional democrática em virtude do artigo 39 da Constituição que estipula que o povo tem o direito inalienável de mudar a forma do seu governo'', avisa.

Mais de um milhão de delegados, vindos do México inteiro, deverão se reunir em 16 de setembro na praça do Zócalo para participar desta convenção, uma espécie de assembléia constituinte ''que poderá nomear um presidente legítimo além de uma coordenação de resistência popular''. Assim, o México poderia acordar em 17 de setembro com dois presidentes. ''Esta é uma possibilidade que dependerá da votação dos delegados na convenção'', admite Obrador.

Os adversários de AMLO argumentam que ele só está contestando os resultados da eleição presidencial, e não os das eleições legislativas que viram a vitória de um número recorde de deputados e senadores do PRD. É pouco provável que estes se recusem a assumir suas funções para protestar contra ''a fraude'' e alguns emissários de Felipe Calderón já estão tentando dar início a negociações com vários dentre eles. ''Nós não somos políticos tradicionais e nós não iremos negociar os nossos princípios em troca de empregos públicos ou de prebendas. Negociar um acordo com um governo sem legitimidade equivaleria a legalizar a simulação democrática e este país não mudaria nunca'', afirma o candidato da esquerda.

''Num país como o nosso, marcado por enormes desigualdades econômicas e sociais, a democracia é uma questão de sobrevivência; é a única maneira para os pobres de terem um governo que cuide deles'', acrescenta. Acusado pelos seus adversários e por vários jornais estrangeiros de ser um mau perdedor que está colocando em perigo as frágeis instituições mexicanas, Obrador replica que o problema fundamental não é a sua candidatura à presidência e sim ''a salvação da democracia''. ''Eu não sou um ambicioso vulgar, mas trata-se de um problema de princípios, de ideal e de convicção''.

Fonte:
Le Monde
Diário Vermelho (Tradução)

México: Candidato progressista vence eleições em Chiapas

25/08/2006

Após quase uma semana de expectativa, o estado mexicano de Chiapas já sabe quem será seu próximo governador: trata-se do candidato progressista Juan Sabines, do PRD (Partido da Revolução Democrática), que derrotou o conservador Juan Antonio Aguilar, do PRI (Partido Revolucionário Institucional), por uma diferença de pouco mais de seis mil votos.

Chiapas quis: Sabines será o governador até 2010

Sabines é da mesma coligação que o candidato a Presidência Lopez Obrador, que vem liderando desde 2 de julho uma resistência civil em todo o país para garantir a lisura das eleições presidenciais e a recontagem de todos os seus votos. O resultado oficial da eleição para governador de Chiapas só deve ser divulgado no próximo domingo (27/8), mas a diferença de seis mil votos se confirmou após a recontagem de todas as urnas do estado. Das 24 áreas em que o estado é dividido, Sabines foi o vencedor em 14, com um total de 553.340 votos. Apesar da vantagem conquistada, representantes da coligação encabeçada pelo PRD dizem que, assim como nas eleições presidenciais, também houve fraude em Chiapas. "Nem assim o candidato conservador conseguiu superar os votos de Sabines. Temos a sustentação legal necessária para ampliarmos essa vantagem", disse Gabriel Avila, liderança do PRD na região.

Pobreza e guerrilha

O eleitorado de Chiapas soma 2,5 milhões de eleitores e a votação, ocorrida no último domingo, transcorreu sem incidentes apesar da aguda polarização. A população chega a 4 milhões, dos quais 1,3 milhão são indígenas. O estado é o mais meridional do México, e também o mais pobre, social e economicamente semelhante aos países da vizinha América Central. O estado de Chiapas tornou-se mundialmente conhecido no fim de 1994, quando o Exército Zapatista de Libertação Nacional lançou um efêmero movimento de guerrilhas e projetou a figura carismática do ''subcomandante Marcos''.

La Jornada

Tuesday, August 22, 2006

Feeding Ourselves: Organic Urban Gardens in Caracas, Venezuela

Written by April M. Howard
Thursday, 10 August 2006



In the middle of the modern, concrete city of Caracas, Venezuela, Noralí Verenzuela is standing in a garden dressed in jeans and work boots. She is the director of the Organopónico Bolivar I, the first urban, organic garden to show its green face in the heart of the city of Caracas, Venezuela.

One afternoon while international crowds swarmed the city for the World Social Forum, I visited the "organoponic" garden to talk with Verenzuela about the garden’s place in the city and Venezuelan politics. To Verenzuela, the garden represents a shift in the ways that Venezuelans get their food. "People are waking up," she told the press. "We've been dependent on McDonald's and Wendy's for so long. Now people are learning to eat what we can produce ourselves."[[1]]

Busy commuters might miss the corner of green between busy sidewalks at the Bellas Artes metro stop and the shiny skyscrapers of the Caracas Hilton. Still, if you pass by several times, your eye might wander toward the color of plants in the otherwise concrete city. At the edge of the garden, a squat concrete shed has a window onto the sidewalk. Inside, shelves display bunches of lettuce and carrots for sale to the public at much cheaper prices than found in the grocery stores.

This 1.2-acre plot tucked into what was an empty lot is part of a plan led by the government of President Hugo Chavez to shift the Venezuelan economy toward what it calls "endogenous development." Defined by its roots, the word "endogenous" means "inwardly creating," which is what the leaders of the Bolivarian Revolution would like to make the economy of Venezuela.

Since 1998, the government of President Hugo Chavez has embarked on wide ranging projects to redistribute Venezuelan resources and services. He has promised radical change to the eighty-three percent of Venezuelans who live below the poverty line in a country that is one of the world’s largest exporters of oil.[[2]] Chavez has redirected oil income from a large and wealthy management to a multiplicity of projects designed to improve social welfare. The scope of these projects range from programs aimed to address health and educational needs to the gardens, which are designed to change the modus operandi of the Venezuelan economy

In theory, an endogenous Venezuelan economy would be more self-sufficient and would favor products made in Venezuela by Venezuelans. "We have been exporters of raw materials and consumers of manufactured goods. One of the first objectives . . . is to put a stop to that game," says Carlos Lanz, an endogenous strategist for the Bolivarian Revolution.[[3]]

The Organopónicos are inspired by similar projects that sprung up in Cuba after the fall of the Soviet Bloc, this means that Venezuelans would buy and consume food grown in Venezuela, as opposed to the current situation in which, according to the United Nations Food and Agriculture Organization (FAO), Venezuela imports about 80 percent of the food that it consumes. The FAO, maintains that this has meant trouble for the poorest sections of society, and small farmers in particular.[[4]]

The garden that I visited has been called a showcase for the endogenous program. Director, Noralí Verenzuela is used to being interviewed about her project, and understands her garden as a part of the endogenous effort. She tells me that the garden was created in 2002 as a cooperative that mimicked some garden cooperatives in Cuba. However, there were organizational problems; the 10 workers weren’t used to the physical labor, and they quit. It was then converted into a government project and inaugurated in 2003 as the Organopónico Bolivar I by President Hugo Chávez. Now the garden is supported by a variety of governmental and international ministries that make up the Special Program for Food Security (SPFS) for Venezuela.

The Venezuelan SPFS is one of 71 international food security programs initiated by the United Nations since 1996, but, unlike other SPFS’s, "Venezuela's SPFS is nationally owned and is one of the largest in Latin America, . . . [and] has been designed, planned and implemented by the Venezuelan government and the country's rural communities." [[5]] The main foci of the program are: management of water resources; intensification of crop production; production diversification and analysis of constraints faced by small farmers.

According to the FAO, the program is funded mainly by the Venezuelan government, with a significant contribution by the FAO, and a small amount from Cuban government. As a part of the SPFS, Chavez and the program directors have set a target of supplying 20% of Venezuela's vegetable production from these urban gardens.[[6]] The Agriculture Ministry is also planning to plant 2,470 more acres of organic, urban gardens this year.[[7]]

The Cuban government has also sent support in the form of agricultural specialists, as these gardens are a project with which Cuba has had experience. The program focuses in smaller projects as well, holding workshops to show people how to grow vegetables in raised beds or pots in their yards or houses for their own consumption.

Inspired by the Cold War

The modern urban organic gardens that inspired the Organopónico Bolivar I were not initiated by a government, but by Cuban citizens who desperately needed food.

After the collapse of the USSR at the end of 1989, which was the back bone of the Cuban economy, Cuba no longer had access to the 57% of food that it imported, or the fertilizers, pesticides and cheap fuel it needed for large scale industrial farming.[[8]] During the ensuing economic crisis, Cubans in the city began to create their own organic urban gardens out of necessity, which came to be called organopónicos.

"Cuba's agricultural scientists had been researching organic farming before the Special Period, but the government was caught off guard when organopónicos started sprouting spontaneously," reports American farmer Peter Rosset, co-director of Food First and the Institute for Food and Development Policy in Oakland, California.[[9]] The government jumped on board when it became evident how successful the small gardens were, and now the Cuban scientists try to keep up with these backyard farmers. Eventually, most of Cuba’s large-scale, mono-cropping, export-oriented farming system was converted to an alternative food production system using low-input, sustainable techniques.[[10]]

The Cuban government now states that 50 percent of the vegetables produced on the island come from urban gardens.[[11]] By the end of 2000, food availability in Cuba had reached daily levels of calories and protein considered sufficient by the FAO. In Havana, 90% of the city's fresh produce now comes from organic local urban farms and gardens. By 2003, consumption of diesel fuel was down by more than 50% of 1989 levels, and chemical fertilizers and synthetic insecticide use were both less than 10% of former levels. Instead, bio-pesticides, soil treatments and beneficial insect breeding are used to protect crops. Scientists and farmers are feeling so successful about their gardens that they claim that, even should the blockade fall, they will not shift their methods back to industrial monoculture.[[12]]

In Venezuela, any sanctions imposed by the socialist-wary U.S. Government could result in similar problems, thus President Chavez’s interest in Cuban methods of self sufficiency. During Chavez’s presidency, he has used Venezuelan oil as an offering of solidarity to many allies, including Cuba. An energy agreement he created now supplies the island with up to 53,000 barrels of oil per day, and has made Venezuela into Cuba's most important trading partner.[[13]] In exchange, the clinics, schools and technical projects initiated by the Chavez government are all visited, advised and staffed by Cuban doctors, engineers and technicians.

The gardens are just a small part of Chavez’s work to rectify larger land problems in Venezuela. Currently, less than 2% of the population owns 60% of the land. Because of the success of the oil industry, Venezuela’s agricultural sector has been long neglected. This is not to say that there is a lack of arable land, but production is only 6% of the GDP, and "Venezuela's agricultural sector is the least productive in all of Latin America."[[14]] This has created the "exogenous" situation that Venezuela finds itself today, importing 80% of food consumed.[[15]] In contrast, the United States, agricultural imports account for 13% of total food consumed, though the percentage is rising.[[16]]

Part of Chavez’s program in Venezuela has been to officially give the land to the people who need it, and in many cases, are already using it. He has worked actively to redistribute land in the cities by giving squatter communities the titles to their land, and has promised to redistribute rural land. His most notable action has been the seizure of unused foreign owned ranches without offering to pay the previous owners. One of the first ranches to be transferred to squatter ownership was a British-owned cattle ranch called El Charcote, which was given to farmers in early 2005.[17] In terms of agricultural production, Chavez’s proposals have also banned genetically modified seeds, as well as created a seed bank for the preservation of indigenous crops around the world.[[18]]

Creating the Garden in the City

For Noralí Verenzuela, the story of the Organopónico began in Cuba she was studying social work and went on a two month long government sponsored trip to Cuba in 2003. She was thrilled by the garden programs she saw in Cuba. When she got back, she was excited to hear Chavez talking about public organic gardening as a possible solution to Venezuela’s food importation problem. When a government-employed relative of hers told her about the Cuban-inspired project at Bellas Artes, she immediately asked to join.

Now neat rows surround a water tank in concentric circles of companion planted beds. As we walked between the rows I saw lettuce, peppers, bok choy, beets, carrots, a green called verdolaga (similar to purslane), eggplants, Chinese cabbage, and a variety of herbs. Plague preventing such as chives and calendula were interspersed decoratively. For such an international collection of plants, the weeds were staunchly Venezuelan. As we walked around the garden translating plant names and uses back and forth from Spanish and English, Verenzuela pointed out a slim stalk of amaranth in the bushes on the side. The ancient native grain locally called "Caracas grass", was the main sustenance of the indigenous people, and was therefore burned by the Spanish. Though the garden doesn’t cultivate it, she says that it is a powerfully nutritive plant, and that the healthiest seniors she knows all eat it faithfully.

Before the garden was there, the open lot was a security concern for its owner, the state owned Anauco Hilton hotel. Five security guards were hired to monitor the space, and the walls around the garden still sport the barbed wire that was used to keep purported vagrants and drug dealers out. Now the Anauco Hilton pays the workers’ salaries and one security guard to monitor the territory. The garden is also home to two tranquil guard dogs which have been well trained not to dig up the beds. When I asked several veteran street vendors nearby about the security concerned, they all agreed that the area was less dangerous. They liked being able to buy the cheap vegetables, too.

The seeds, tools and supplies used in the garden are paid for by the government. In addition to the regularly paid staff, the garden accepts drop-in unemployed workers from nearby barrios, such as Caricuao, who can work and take home vegetables. Much of the recent barrio population in Caracas has migrated to the city from the countryside, and know how to perform agricultural work. According to Verenzuela, the climate allows for the gardens to be productive year round. When crops are harvested, the beds are empty several days at most before new crops are planted.

Verenzuela herself returned to Cuba as an official representative in 2005 to study the urban gardens and find systems to emulate back in Caracas. She was intimidated by what she saw as a monumental success. "But we are still young," she says, "We can’t help it if their beets are twice as big, we’ll get there"

The Bolivar I garden considers itself to be linked with Cuba, and often has Cuban agricultural scientists visit and help. Amongst the gardeners, there are two Cuban agricultural engineers, women who come to help improve gardening procedures.

However, program directors are quick to insist that the gardens are made for a Venezuelan, not Cuban reality. "It's not a Cuban model," said Cojedes state governor Jhonny Yanez, a Chavez ally leading the land reform charge. "It's a Venezuelan model based on an oil economy that can feed itself."[[19]]

Opposition to the Garden

Although the Organopónico Bolivar I garden has become an established part of the city, they city hasn’t always met it with open arms. The garden project has been criticized as a hypocritical publicity stunt by both Caracans and international environmentalists. While the garden might be seen by environmentalists as a nice gesture, they cite Chavez as a threat to the environment, due to his dependency on the oil industry and the refining of Venezuela’s sulfur-heavy crude. Government contracts with oil companies Petrobras and Chevron Texaco have focused on drilling in the Amazon.[[20]] However, the most direct assaults on the garden have come from anti-Chavez Caracans themselves.

Many Venezuelans who are opposed to the Chavez administration, often called the Opposition, meet all government projects with distrust and derision, if they admit that the projects are happening at all. While Chavistas are stereotyped as poor Venezuelans from the barrios, the Chavistas call the Opposition los esqualidos, or the squalid people, and stereotype them as wealthy oligarchs. During my time in Venezuela, I found that the situation is not that simple. I spoke with people in the barrios who were skeptical of Chavez, and a businessman flying to New York City who was very supportive of Chavez. Talking to a range of Venezuelans is a dizzyingly inconsistent experience. Both Chavistas and those in the Opposition that I met believed that they were in the majority and that the other side was completely corrupt.

Still, the claims made by the Opposition are more difficult to swallow. All of the Opposition supporters I spoke with believe that they are the majority, and that Chavez has absolutely no support in the country. This is in spite of the fact that elections (deemed fair by international observers) show that Chavez consistently receives 60% of presidential votes. Chavez has won 9 elections, a recall referendum and was reinstated by massive popular protest after he was kidnapped in an attempted coup in 2002. I was told that Chavez’s endogenous economic policies are driving out foreign investment and that he will bring the country to economic ruin. In some cases, opposition supporters tried to convince me that Chavez is embezzling the oil money that is supposedly going to social programs, and that there are no social programs going on at all. During my visits to the barrios, schools, medical clinics, government subsidized markets and community radios were in construction or in full swing.

Ingrained in the culture of the wealthy opposition is a sense of entitlement to the resources that they have always had, and a belief that poor Venezuelans live the way that they do because they are lazy and racially inferior. Some of the wealthiest opposition supporters are concerned that their property might be taken away, as has happened to foreign owners of unused countryside. One man approached me on the subway and missed his stop to tell me that he was being secretly banned from government jobs for voting against Chavez in the 2004 referendum.

One of the most ridiculous claims of the opposition (and the most repeated in the U.S.) is that Chavez is restricting the freedom of the press. The fact is that most media in Venezuela is owned by the opposition. The television stations and newspapers ridicule and rail against the government on a daily basis, and some stations seem to dedicate themselves to it. This is not to say that the pro-government paper and TV station are less biased, but they are the minority.[[21]]

The garden hasn’t been immune to this political divide either. In the first few months of its existence, the garden saw some sabotage (from the Opposition, according to Noralí Verenzuela), in which some plants were robbed. At other times, people stood outside the gardens and protested, and the workers ended up calling the police. Some Caracans have also complained about the smell of the manure imported from the country. The press ran stories saying that the vegetables were contaminated and unsafe to eat. Late last spring, workers found a huge snake, which someone had slipped into the garden at night. The gardeners have taken these attacks in stride, partially because it has become evident that the organopónicos represent much more than simple gardens. "As a pilot project," Verenzuela noted, "it [the garden] can't be allowed to fail." [[22]] In some cases, workers even found practical uses for the weapons of attack. In November, workers found some very destructive goats, which were let in to the garden by the Opposition, according to Verenzuela. Before the goats were able to do too much damage, workers caught, killed, barbequed and ate them as an afternoon barbecue. Perhaps this is the organoponic interpretation of ‘When life gives you lemons, make lemonade.’

Recently, according to Verenzuela, the attacks have stopped, and the garden has become an accepted part of the landscape. In fact, Verenzuela says that some of their most faithful customers are opposed to Chavez. "We are making food, and food is not political," claims Verezuela. "Besides, they know that our food is better."

Snakes in the Garden

Cynics of the endogenous and organoponic programs have asked why so much energy is being focused in organic, urban gardening when there is so much fertile, unused farming land available in the rural areas. The national farmers' federation Fedeagro, which unites 52 smaller local chapters of farmers’ unions from around the country, says it is not opposed to the urban food program, but it is concerned about what it perceives as a lack of governmental support for the farming sector. "The problem is that it looks as though the government is concentrating all its efforts on these city farming plots, and yet the national sector remains in the state it's in," said Fedeagro's technical adviser Nelson Calabria.[[23]]

According to the FAO, 92 percent of Venezuelans currently live and work in urban centers and a mere 8 percent in rural areas,[[24]] which means that, were Venezuela to need to feed itself, the vast majority of the population would be in better shape if cities were also a viable option for food production. At the Organopónico Bolivar I, Verenzuela pointed out that the idea of urban gardens was a radical one for many Venezuelans. Journalist Magdelena Morales writes of the "the derision of critics," who scoff at Chavez’s suggestions that barrio (slum) residents "should raise crops and chickens on their balconies and rooftops."[[25]] As Verenzuela explains to me, "We are showing people that a garden is possible in a city."

Another concern that skeptics have had about urban gardens is the very real question of pollution. Some opposition-experts have claimed that the exhaust laden air of the center of the city center "contains concentrations of carbon monoxide and lead that could contaminate growing plants."[[26]] This idea crossed my mind as well, and I asked Verenzuela what their response at the Bolivar I had been. She led me over to a white machine mounted on a post in the middle of the garden. This, she told me, was the garden’s pollutions meter (catalizador de contaminación), and a technician comes every 15 days to take a reading. She didn’t tell me what the acceptable levels were, but indicated that they haven’t had any concerns so far.

A Better Alternative

In Havana, Cuba, where most of the produce available is produced in Organoponic gardens, some residents have complained about quality and availability of produce.[[27]] Luckily, the Bolivar I is under a little less pressure, because at this point it is only one of many options for Caracans. Verenzuela says that many Caracans choose to buy their food there because it is fresher and cheaper. As Verenzuela explained to me, all agricultural produce in Caracan supermarkets is transported from the countryside and, by the time it is available to the city consumer, it is expensive and often damaged. Local supermarkets don’t offer a large variety of organic vegetables, and what is there is very expensive compared to the produce at the Organopónico Bolivar I.

The availability of fresh produce is even credited for a change in local dietary habits. Nearby, the housing by the highway is occupied by foreigners, many European and Asians who, according to Verenzuela, often eat more vegetables than the typical Venezuelan. She gives the example of when the garden took to growing bok choy; at first, Venezuelans had no idea what it was, but after they saw how many Asians were buying it, they started to try it as well. Now lettuce and bok choy are big sellers, and the garden market often runs out. Venezuelans nearby weren’t big vegetable eaters; the traditional meals are big on meat and fried starches. However, like their Cuban counterparts, the presence of cheap green produce has led Caracans to eat more greens, says Verenzuela. In Cuba, the increased vegetable consumption has reportedly contributed to a 25% decline in heart disease.[[28]]

According to Verenzuela, Venezuelans are beginning to realize the risks that agricultural pesticides present. Chemicals are used indiscriminately in Los Andes, the main agricultural region. Verenzuela stated that commercial farmers in Los Andes don’t always follow directions for chemical usage. Farmers sometimes treat their crops and harvest them on the same day, which has led to cancer and infertility in the region. Still, when I asked some street vendors buying their vegetables from the little store by the metro exit if they were happy to be buying organic vegetables, they raised their eyebrows. "Sure," said a jewelry maker, "but we like these vegetables because they are cheap!"

More than a Garden

At the Organopónico Bolivar I, there are big plans for the future. Verenzuela would like to sell rabbits, make pickles, and sell potted ornamental and medicinal plants. As it is, Verenzuela regularly provides tours and hosts study groups of university students at the garden. Students studying agriculture at the newly formed Bolivarian University are required to visit and work in the organopónicos.

The garden has also become a safe haven for some local kids. One young girl played quietly in the garden while I visited. "Her father is a street vendor," explains Verenzuela "there were some problems, and she started hanging out here. She has her toys here, and we take her to school, and she does her homework here afterwards. She likes it here."

I take a last deep breath of fresh air before going back onto the crowded street. "Sometimes the people in the city look twice at us if we go out in our farming clothes to do some errands," Verenzuela says in her oasis of green in the middle of the concrete city. "Working here has really changed my life. I’m kind of out of touch with the soap operas and the news, but I like it."

April Howard is a history teacher and journalist currently living in Bolivia. Email April.m.howard@gmail.com

[1] Adams, David. "Venezuela's new revolution centers on land." St. Petersburg Times.

Jan. 24, 2005.

[2] Myrie, Clive. "Revolution on Venezuela’s Estates." BBC News. Aug 23, 2005.

[3] Adams, David. "Venezuela's new revolution centers on land." St. Petersburg Times.

Jan. 24, 2005

[4] "Feature: FAO in Venezuela." Food and Agricultural Organization of the United

Nations, 2002.

[5] "FAO in Venezuela."

[6] Lamb, Jon. "Food, poverty and ecology: Cuba & Venezuela lead the way." Green Left

Weekly, Feb. 2, 2005.

[7] Morales, Magdalena. "Cuba exports city farming 'revolution' to Venezuela." Reuters.

April 22, 2003.

[8] Lamb.

[9] Perkins, Jerry. "Organic farming flourishes in Cuba." The Des Moines Register. Mar.

16, 2003.

[10] Perkins.

[11] Morales

[12] Lamb.

[13] Morales

[14] Lamb.

[15] "FAO in Venezuela"

[16] Jerardo, Alberto. "The U.S. Ag Trade Balance. . . More Than Just A Number."

Amber Waves. Washington, D.C.: United States Department of Agriculture,

Economic Research Service. Feb. 2004.

[17] "Venezuela to speed up land reform." BBC News. Sept. 26, 2005.

[18] Lamb.

[19] Adams, David. "Venezuela's new revolution centers on land." St. Petersburg Times.

Jan. 24, 2005

[20] Vargas Llosa, Alvaro. "Why the Left Should Cringe at Chavez."

Realclearpolitics.org. Feb, 2006. Dahlstrom, Hanna. "Macho Men and State

Capitalism - Is Another World Possible?." Upsidedownworld.org. Jan. 17, 2006

[21] Parma, Alessandro. "Chavez Los Tiene Locos (Chavez Drives them Crazy): A First-

Hand Impression of the Venezuelan Opposition." Venezuelanalysis.com. Nov. 24,

2005.

[22] Adams, David. "Venezuela's new revolution centers on land." St. Petersburg Times.

Jan. 24, 2005

[23] Morales.

[24] "FAO in Venezuela."

[25] Morales.

[26]Morales.

[27] Morales.

[28] Lamb.


Source:
Toward Freedom

Tuesday, August 15, 2006

Zuzu Angel


Que não se esqueça a ditadura fascista brasileira patrocinada pelo imperialismo norte-americano! Haja memória contra o fascismo e contra a impunidade!


Estreou um filme muito interessante no Brasil, Zuzu Angel, sobre uma famosa estilista que lutou firmemente contra a monstruosa ditadura militar que sequestrou, torturou e matou o seu filho Stuart Angel, apanhado em actos públicos de resistência ao regime fascista, no movimento estudantil brasileiro. Stuart Angel acreditava nos ideais da revolução e socialismo, e foi um lutador pela democracia no Brasil. A sua mãe apesar de não compartilhar dos ideais acabou por aderir à luta pela democracia depois do horrivel assassinato do seu filho.

Aqui fica a biografia de Zuzu Angel na Wikipédia:

Zuleika Angel Jones ou Zuzu Angel (Curvelo, 5 de junho de 1921 — Rio de Janeiro, 15 de abril de 1976) foi uma estilista brasileira.

Mudou-se quando criança para Belo Horizonte, tendo em seguida morado na Bahia. A cultura e cores deste estado influenciaram significativamente o estilo das suas criações. Em 1947 foi morar no Rio de Janeiro.

Nos anos 50 iniciou seu trabalho como costureira, quando fazia roupas principalmente para alguns familiares próximos. No princípio dos anos 70 abriu uma loja em Ipanema, quando começou a realizar desfiles de moda nos EUA. Nestes desfiles sempre abordou a alegria e riqueza de cores da cultura brasileira, fazendo sucesso no universo da moda daquela época.

Pioneira na moda brasileira, fez sucesso com seu estilo em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos. Nos anos 70, seu filho Stuart, ativista contra o regime militar, foi preso e morto nas dependências do DOI-CODI. A partir daí, Zuzu entraria em uma guerra contra o regime pela recuperação do corpo de seu filho, envolvendo até os Estados Unidos, país de seu ex-marido e pai de Stuart. Essa luta só terminou com o seu assassinato em 1976 por integrantes do regime militar, os seus assassinos forjaram um acidente automobilístico no Rio de Janeiro, no túnel que hoje leva seu nome. O corpo de Stuart nunca foi encontrado.

Em homenagem à estilista, Chico Buarque compôs a musica "Angélica".

http://pt.wikipedia.org/wiki/Zuzu_Angel

Consenso em Israel: Hezbolá ganhou a guerra sem nome

14 DE AGOSTO DE 2006

Por Bernardo Kucinski, enviado especial da Agência Carta Maior, em Tel Aviv*
Em 32 dias de guerra, estima-se entre 800 e 855 o número de mortes no Líbano, e em 147 em Israel. Quem ganhou com tantas mortes e tanta destruição? Entre os israelenses, há um consenso de que o Hezbolá é o único vitorioso. E que o primeiro-ministro Ehud Olmert vai cair.


Todas as guerras entre árabes e judeus tiveram um nome. E foram muitas: guerra do Sinai em 56, guerra dos seis dias, em 67, guerra do Yom Kippur, em 73. Todas menos esta, observou ontem um jornalista do Maariv. Ele sugeriu um nome, sem equivalência em português, algo entre “guerra da ressaca e guerra do despertar”. Os israelenses despertaram para o fato de que perderam a fama da invencibilidade. E mais, de que “o uso apenas da força não assegura a paz”, como escreveu no Haaretz do domingo (13), o jornalista árabe de Haifa Raja Zaatara. Descobriram também que seus famosos serviços de inteligência emburreceram, nada sabiam do poderio do Hezbolá e do seus bunkers no Sul do Líbano. Que seus reservistas estavam fora de forma, suas unidades sem equipamento, sua liderança política despreparada. Foram todos pegos de calças curtas.

Um dia antes do início da guerra, o comandante do exército, Dan Halutz, tinha confirmado reservas no hotel da Galiléia para passar férias com a família, revela nesta segunda (14) o Jerusalem Post, entre outros exemplos de que estavam todos vivendo num mundo de ilusão e falta de informação. No domingo, caíram 250 katiushas nessa mesma Galiléia, o maior número de foguetes lançados pelo Hezbolá num único dia, certamente para aproveitar os últimos momentos antes da trégua e numa demonstração de que seu poder de fogo está incólume. A trégua pegou, essa é a boa notícia desta segunda. Podem se ouvir os passarinhos cantando na Galiléia, disse aliviado o locutor da rádio de Israel. Se a trégua vai durar, não se sabe. Mas que uma nova guerra vai começar para saber quem vai pagar a conta no governo israelense, isso é certo, diz o Jerusalem Post. Quem vai pagar pelos erros políticos e de gerenciamento? – pergunta o Maariv. O Jerusalem Post reproduz com grande destaque a revelação da revista Time de que em 2002 o comandante do exército, general Halutz, rejeitou uma oferta dos americanos de bombas de profundidade ´estoura-bunker´, dizendo que Israel tinha coisa melhor. Se tivesse aceito, diz o jornal, os bunkers de onde são lançados os katiushas poderiam ter sido atingidos com mais facilidade. O jornal diz que o Hezbolá tem 100 bunkers desse tipo.

As críticas da imprensa ao governo são pesadas. O Haaretz pediu a renúncia de do primeiro-ministro Ehud Olmert. Há um quase consenso de que Olmert vai cair. E o Jerusalem Post desta segunda fala que certamente vai ser aberto um inquérito para determinar culpas e castigos. Mas que a esquerda brasileira não se iluda, o que menos se critica aqui é o ataque à infra-estrutura do Líbano, que causou a morte de tantos inocentes. Só pequenos grupos, da extrema-esquerda, estão protestando – entre eles, aliás, uma das filhas de Olmert, ativista do movimento Paz Agora. Por que não atacaram antes, é a pergunta que muitos fazem. E por que o lançamento dos 11 mil soldados das tropas de elite atrás das linhas do Hezbolá, já no Rio Litani, na véspera do cessar-fogo, perguntam os jornais deste início de semana. Se não lançaram antes, agora é que não deveriam ter lançado, diz o ex-chefe do Mossad, Dan Itum.

Só no fim de semana, sete soldados israelenses foram mortos na região do Litani pela guerrilha do Hezbolá. Essa foi a mais ousada e perigosa operação até agora, a única que poderia dar aos israelenses o poder da iniciativa. Tinha como objetivo encurralar o Hezbolá numa ´caixa da morte´, como definiu o Sunday Times, e inflingir ao xeique Hassan Nasrallah uma derrota ostensiva. Com o cessar-fogo, ela se revelou inútil, e as mortes desnecessárias. No sábado (12), o comandante do exército, Dan Halutz, culpou a diplomacia pela demora da operação, dizendo que estava tudo preparado há dez dias. Agora, ele diz que, mesmo tardia, essa operação foi essencial para garantir termos mais favoráveis no cessar-fogo. Em 32 dias de guerra, diz o balanço de domingo do jornal Maariv, 147 israelenses morreram, dos quais 40 civis. Caíram na Galiléia 3.968 katyushas, sem contar os 250 de domingo. Mais da metade dos 170 mil habitantes da alta Galiléia fugiram para o Sul do país. A economia foi duramente afetada. As fábricas da Galiléia estão paradas e o Porto de Haifa, que recebia em torno de 20 navios por dia, hoje recebe um ou ou dois.

O Maariv diz que o ataque ao Líbano matou 855 pessoas. Mas não faz o balanço dos outros estragos. Esse balanço está no Observer do domingo – foram desfechados pela força aérea israelense 8.700 ataques ao Líbano, que destruíram ou atingiram pesadamente 146 pontes, 50 fábricas, 71 estradas e residências de 100 mil pessoas. O Observer estima as mortes libanesas em 800. Quem ganha com tantas mortes e tanta destruição? Há consenso entre os israelenses de que o Hezbolá é o único vitorioso.

Agência Carta Maior

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=6317